Aluhandri さんのプロフィールThorn memories...フォトブログリスト ツール ヘルプ

Draconi Aluhandri

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Ahn... meio complicado.
Não prefere me conhecer pessoalmente ?

"Não sabendo que era impossivel, ele foi e fez.."
 
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Thorn memories...

"Memorias que me são a base do que eu me tornarei para você..."
8月13日

Chá de ervas

Chá de ervas

 

Quando a natureza chamar, você estará pronto?”

 

 

Havia um tempo em que eu não me sentia só. A umas décadas a noite parecia convidativa. Antigamente o cheiro de orvalho e as grandes arvores, iluminados pela luz da lua e as distantes tochas dos homens iluminando seus lares. As mulheres passeando escondidas pela paisagem com vestidos longos e enormes decotes pressionados pelos antigos corsets.

 

Atualmente o cheiro da fumaça e os grandes prédios, iluminados pela luz dos postes elétricos que mal se vê o que se procura. Os becos escuros, sujos e mal-cheirosos. As mulheres com roupas imensas de vários estilos diferentes. Pessoas perigosas assaltando as ruas. Pessoas perigosas matando nas ruas. Pessoas como eu.

 

Desde que me desvencilhei do Demônio da solidão, me atento para não o deixar a espreita. Não quero ser mais o escolhido da solidão e não vou voltar para aquele lugar. Mesmo que eu tenha que morrer. De novo. Tentei não pensar no limbo e decidi continuar caminhando. Deixei o velho sobretudo em casa para levar o mais velho blazer de veludo preto.

 

Entretanto, a noite parecia muito diferente. As luzes em meus olhos castanhos estavam até agradáveis e a movimentação da rua era animada. Será que a noite estava diferente? Ou eu havia mudado? Será que meu encontro com a solidão havia me transformado tanto assim?

 

As pessoas na rua me cumprimentavam e algumas até sorriam para mim. Seja lá o que tenha acontecido, me mudou por fora também. Até o aroma no ar havia mudado. Um aroma de ervas. Mas não vinha das plantas ou de arvores. Era o aroma de um chá.

 

Ao lado desse aroma, um perfume majestoso, daqueles irresistíveis. Este pertencia a uma mulher de longos cabelos negros encaracolados. A pele clara era iluminada pela luz da lua e revelava uma maciez que atraia minhas mãos. Quando me dei conta, eu já estava ao lado dela. Ela me olhou dentro dos olhos e fui fitado por um carinho que não esperava. Ela sorriu e desvencilhou o olhar para o livro que acompanhava o chá.

 

Seus lábios eram rosados, bem contornados, quase que pintados e desenhados a mão. Seu rosto era fino e seus cabelos ligeiramente voavam com a brisa da noite. Eu comprei um chá avermelhado e sentei-me sem me apresentar a linda senhorita que ali estava. Ela me olhou assustada e aguardou uma reação minha.

 

- Sentei-me aqui e pedi este chá porque ele combina com seus lindos lábios. Adoraria ter o enorme prazer da sua companhia. – Eu disse a ela, sem entender porque eu estava ali

 

Ela riu e suas bochechas avermelhadas revelaram sua timidez, algo que eu não tinha reparado pelo olhar, como de costume. A partir daquele ponto, já estava embriagado pelo perfume dela Todas as pessoas sumiram a minha volta e apenas ela estava lá. Eu perguntei seu nome e uma voz doce ressonou:

 

- Sonim. Me chamo Sonim...

 

- Encantado – Eu disse tocando a sua mão e a beijando em um gesto cortês.

 

Porém, ao tocar a mão, pude sentir a pulsação. Aquele ritmo que faz meu coração se sincronizar. E aos poucos a doce lembrança do delicioso sangue rubro veio a minha mente e a ponta da minha língua. Mordi os lábios gentilmente e olhei a doce Srta Sonim nos olhos. As intenções já passavam por terceiro e quarto grau. Ela sorriu novamente e eu a convidei para ir a um lugar mais discreto. Ela concordou com a cabeça e nos retiramos do recinto.

 

Levei-a para minha casa e não me contive em possuí-la sobre o piano. Beijei-a sem o mínimo pudor e comecei a despir o máximo de roupas que pude. Beijávamos em um ardor que nunca havia sentido antes. Seus lábios tinham o delicioso gosto de que todos os homens procuravam. Então, o inesperado aconteceu. Ela mordeu o meu pescoço.

 

Eu confesso: Aquilo foi delicioso.

 

Ela mordeu e segurou-me. E logo começamos a nos movimentar de maneira lasciva. A luxúria possuiu nossos corpos enquanto lá fora uma tempestade se armava. Seus dentes largaram no meu pescoço a marca da volúpia enquanto eu sentia a necessidade de retribuir o favor. Deslizei meus lábios sobre o corpo dela, dançando com a língua singela, lentamente até a parte mais quente de seu corpo.

 

Suspirando fundo, ela fechou os olhos e ofegava deliciosamente. Suas feições de prazer faziam com que eu quisesse continuar ali para sempre. Sem demora, eu já estava me portando luxuriosamente. O piano rangia enquanto as gotas de chuva começavam a cair.

Sonim e eu entregávamos um ao outro com mais voracidade a cada minuto. Eu a carreguei para minha cama onde tornamo-nos animais variando nossas posições.

 

O momento era perfeito. A pulsação. Os gemidos. Os olhos. As posições.

 

Era a hora: eu a mordi no pescoço sem aviso. O sangue invadiu minha boca, misturado com o orgasmo intenso que sentíamos. Comecei a sorver e sugar sem demora. Tudo era como eu gostaria que fosse. E ali estávamos. Dormimos juntos aquele dia. Ela sobre meu peito, com a mão embaixo da minha blusa, tocando meu peito branco.

 

Eu abraçando-a e as vezes beijando sua testa. Estou perdido neste vicio delicioso...

 

 

“Vicie e transborde a doce luxúria, da qual todos os seres estarão amarrados por toda a eternidade.”

3月24日

O DIA QUE NUNCA CHEGOU

O Dia Que Nunca Chegou

 

“A idéia é que uma pequena variação nas condições em determinado ponto de um sistema dinâmico pode ter conseqüências de proporções inimagináveis; Teoria do Caos”.

 

Se palavras tivessem vida, deixassem de ser inanimadas. Que tipo de historia elas escreveriam? Que tipo de expressão elas se tornariam? Ou nada diriam? Apenas silencio, para de fato representarem a si mesmas? Acabariam por gerar experiência e transmitir tal conhecimento? Eu creio que sim. Crer já é experimentar o inicio do movimento que gera ações que ocorrem no mundo. Creio que posso viver. Creio que posso fazer. Creio que posso matar. E Creio que posso morrer.

 

Mas e quando você não sente nada? Você está lá. Você Está! Mas nada você sente. Você esta dormente. Sem frio ou calor. Sem ódio ou amor. Sem calento ou ardor. Nada te falta, porém nada está perdido. Você não está nem molhado e nem seco. Nada faz sentido aqui, mas nada precisa fazer. O demônio da solidão me levou ao limbo, purgatório, plano médio, torpor... Chame como quiser... Mas não queira estar aqui.

 

Isso me ocorreu quando a única pessoa que poderia me tirar daqui apareceu. Um borrão na direção dos meus olhos se abriu e eu podia ver a realidade por ali. A pessoa me olhou e esticou seu braço, sorrindo com maldade pura. Seus olhos transpassaram um mistério que eu mesmo queria desvendar. Seus cabelos apenas permitiam poucos raios da luz daquele outro ambiente. Lembrei-me de quando eu lá estava. E alucinei. A primeira alucinação foi Leanan Sidhe. Seus longos cabelos vermelhos flutuando pelo meu limbo particular. Seu corpo vinha de encontro ao meu lentamente, sem esforço algum.

 

Seu corpo tocou o meu. Os fios rubros como sangue envolviam minha cabeça. Seus apaixonantes olhos verdes repletos de maldade fitavam os meus por poucos milímetros. Sua boca brevemente encostava a minha. Suas unhas penetravam minha carne e seus dentes perfuravam meu pescoço. A dor era lancinante. Com uma das mãos sujas com meu próprio sangue, ela puxava meu cabelo trazendo minha cabeça de lado. Uma onda de prazer dominou meu corpo. Eu agonizava de dor e regozijava prazer.

 

Percorreu os pés até as pernas, contraindo todos os músculos que até então, me pertenciam. Continuou pela minha cintura, enrijecendo minhas nádegas e membro. Perscrutou minha coluna, aproveitando-se de todas as suas conexões nervosas e reações subseqüentes. Arrepiou-me até os cabelos curtos. Sentia-me uma besta livre de correntes. Todo meu corpo pulsava sentindo o prazer daquela que um dia havia me dado esta condição. Ela sorvia sem se importar comigo, só pelo prazer de saciar sua sede sanguinária. Quando meu corpo não podia mais suportar todo aquele êxtase, outrem ousou intervir.

 

Tocou-me macio por entre as minhas feridas nas costas. Não pude ver seu rosto, contudo, pude ver o ódio de Leanan ao olhar as asas negras cobrirem a nós. Abraçou-me como podia, tocando e borrando suas roupas com meu sangue. E logo que ouvi sua voz, seu rosto veio-me em um flash de pensamento.

 

- Vampiro – ela disse suavemente – Perdoe-me por não conseguir nem poder acalentar sua dor, pois tua alma torturada sempre esteve perante meus olhos e não fui capaz.

 

Faulty estava ali. Ou pelo menos minha mente, corpo e sentimentos achavam que ela estava. Beijou-me carinhosamente o lado do pescoço em que estava intacto, enquanto Leanan me sorveu com mais força e vontade. Sentia-me em plena balança. O carinho, que eu recebia de Faulty, era o mais próximo de amor que eu havia sentido depois de Dhália. E que eu nunca mais teria. Recordei-me de todas as suas dores e dos momentos que eu havia conversado e escutado suas lamurias e suas experiências na dor, com falhas ou vitórias. Era tudo tão... Bondoso... Integro...

 

Foi quando Leanan agarrou Faulty pelo pescoço e a ergueu. Seus olhos de esmeralda encararam o anjo com algo que eu jamais havia experimentado e não conseguirei jamais transcrever em palavras, gestos ou exemplos. Com seu polegar, ela perfurou o pescoço do anjo e a largou até que não pude mais sentir sua presença ou ver suas asas. Olhou-me novamente, lambendo o polegar repleto de um sangue celestial, lambeu os lábios e voltou a sorver de mim. Senti o maior dos orgasmos que já havia sentido.

 

Ela, de forma sexy, gentil e sensual, sussurrou no meu ouvido palavras que jamais esqueceria.

 

- Somente eu tenho direito ao seu sangue. Sua vida é minha. Faça valer a pena...

 

Pisquei os olhos atordoados. E não vi mais ninguém. Apenas aquele borrão com a realidade e aquele ser maléfico. Algo que eu mesmo temi. O braço foi até a gola da minha camisa e me puxou lentamente. O limbo ao meu redor parecia se iluminar em um recinto de pura luz, pouco a pouco. Pude ver a pele branca daquele ser que parecia ter ido até o limbo só pra me matar ou me usar. Meu corpo ainda pulsava e o sangue do meu pescoço escorria quente pelo meu corpo encharcando meu peito nu.

 

A claridade foi se fazendo presente até que eu fiquei cara a cara com aquele espectro maldito que eu começava a enxergar melhor. Com um sobretudo, camisa e calça de cor preta, seu sorriso me assustava e me aguçava a curiosidade. Até que eu finalmente, envolto por uma luz, o vi. Então eu reconheci o olhar demoníaco, o sorriso sarcástico e assustador. Suas roupas e seus cabelos. Ele abriu os lábios cara a cara e me disse me erguendo pela gola.

 

- Faça valer a pena. Alimente a sede, o ódio, a raiva, a fúria, o ímpeto e o desejo. Viva para buscar o dia que nunca chegou.

 

Era eu mesmo. Aquele demônio que me encarava com desejo assassino era eu mesmo. Cai no chão e voltei à realidade. A chuva estava lá, meu sobretudo e camisa pelo chão. Eu encharcado pela água que do céu caia. Pensei se estava só alucinando por intermédio de qualquer coisa. Mas logo o meu sangue vermelho escorria pelo meu peito, e já não sabia mais o que teria acontecido. Mas, até agora, posso dizer com certeza uma coisa.

 

Todo esse tempo eu estava renegando meu verdadeiro eu. Tentando ser algo que eu não sou. Modificando a essência e o fogo sagrado que não pode ser transmutado. Minha alma.

 

“Esperando por ele, O dia que nunca vem. Você se levantará e sentirá o calor? Mas a luz do sol nunca vem, não. Não, a luz do sol nunca vem”.

11月19日

O Demônio da Solidão

O Demônio da Solidão 

“Sentirá o frio cortante, quando não puder mais cortar o frio, contra teu sentimento”

Porque hoje, buscava o silencio, naquele dia chuvoso? Cada gota fria caia em uma lentidão que era possível visualizar a forma. A visão turva de cada cor transpassada pela serena, tranqüila e gélida gota de chuva. Aquelas cores turvas sempre traziam a memória aqueles olhos que, por sua vez, sempre estiveram presentes nos momentos. O Demônio da Solidão aquecia as costas daquele que, nitidamente queria companhia...

Apresentou-se sem se exibir. Apenas a ponta da roupa preta resvalava na minha calça, com as canelas molhadas. O vento era tão frio quanto a dor que senti. Forte como a minha grande fraqueza. Queria arrastar meu sobretudo para a água, longe do meu corpo. O Demônio da Solidão atou suas mãos as minhas. Mãos femininas. Leves suaves e gélidas. Seus cabelos negros cobriam minha nuca, reconfortando a solidão que não tinha fim.

Sua pele vermelha contrastava com a minha branca. Suas unhas negras desfiavam a minha pele, misturando-se com meu sangue ralo, junto ao respingo frio da chuva. Virou-se, abraçou-me, dizendo, sem me falar, que ficaria comigo eternamente. Mostrou que a solidão queria ser minha companheira, sem meu consentimento. Olhou com órbita negra, sem íris, nem pupila. Um olhar sereno, carinhoso. Mostrou-me que eu não tinha poder de decidir.

Suas unhas agora cortavam os botões do meu sobretudo. O vento me despira, expondo meu peito nu contra a pele vermelha como fogo, de toque gelado como o gelo. O Demônio da Solidão possuiu o meu coração com a sua mão, o meu corpo com seu beijo, e queria a minha alma, com seu sexo. Beijou-me carinhosamente. Penetrou sua língua em minha boca, enquanto tocava meu rosto com uma mão e meu coração, agora vazio, com a outra. Eu não mexi. Não podia lutar. Não podia consentir. E agora meu corpo estava vazio.

Terminou de tocar minha boca com seus lábios cheios de volúpia. Seus dentes eram tão afiados quantos os meus. Demonstraram sutileza e poder, que só o Demônio da Solidão possuía em maestria. Dilacerou meu pescoço e eu cai, contra a poça de água. A chuva ainda caia em câmera lenta. E assim vi a forma da solidão. Era linda. Pele vermelha como o fogo primordial. Cabelos longos e lisos, negros como seus olhos demoníacos. Seios perfeitos. Redondos, médios, carnudos, atraentes. A sua cintura era tão torneada quanto seus quadris, coxas e pernas.

A epifania mostrou-me que o Demônio da Solidão teria a forma que fosse mais eficaz contra quem ela quisesse. Eu já não tinha armas desde a chuva. Ela só esperou e cozeu até o ponto em que queria me degustar. Meu corpo finalmente caiu na poça. Na sarjeta. Ela arremessou suas roupas e subiu sobre meu corpo nu e molhado. Apoiou suas mãos contra meu peito e começou a tomar minha alma. Movimentou-se com malicia. Sorriu e mostrou o quanto estava gostando daquilo.

Eu não tinha expressão. A água da chuva caia pela minha boca, indo até a garganta. Afogava minhas narinas descendo até o interior do meu pulmão. E ao mesmo tempo caia em meus olhos castanhos, lubrificando como colírio a minha vista para que eu enxergasse mais e melhor.

Relâmpagos tornaram-se dragões. Os silfos sussurravam rezas ou conjuravam algo. As ondinas ergueram meu corpo para que eu sentisse melhor ela possuindo tudo o que me pertencia. E os gnomos olhavam com espanto a magnitude do acontecimento. Eu, não digno dos elementos da vida, sendo observado como um gladiador que já está à espera da morte na arena.

Ela mudou sua posição e movimentou-se com rapidez, força e desejo. Queria a minha alma a muito tempo. Esperou o tempo necessário para aproveitar de seu prazer ao máximo. Eu já não tinha forças. Não passava de um fantoche quebrado, a espera de que alguém manipulasse as minhas cordas. E a solidão apenas aguardou.

Ela já gemendo e urrando de satisfação, gritou. E eu pude ouvir milhões de almas em uma só voz. Como se estivesse abrindo o recipiente em que guardasse sua coleção. Senti o gelo tomar minhas pernas, abdômen, tórax, braços, garganta e cabeça. Gritei sem ouvir minha voz. Fechei os olhos, senti ela me abraçando e se fundindo a minha alma. E quando abri os olhos, eu flutuava no vazio. Sem nada, nem ninguém ao meu redor. Apenas o vazio, e meu corpo boiando no centro daquele caos organizado.

O demônio da Solidão me consumiu...

“Olhando do centro do caos, residi na ordem serena, indolor e insípida”.

3月4日

CAÇA e CAÇADOR

CAÇA E CAÇADOR

“Mais um no mundo atual ou um mundo mais atual”

Dia quente. Até mesmo pra quem não repara mais as temperaturas dos dias. Pessoas falando junto com o transito mostram que o nível do caos no planeta tem assumido formas muito mais assombrosas do que as figuras mitológicas dos vampiros. Bem, não tão mitológicas assim. Aluhandri é a prova viva desta “mitologia”. Em tempos modernos é mais fácil caminhar pelas ruas e ser encarado de forma jocosa “mitologicamente”. Afinal, o que era um gótico a mais no mundo atual?

Contudo, a pergunta vista por Aluhandri é: O que é mais um “mundo atual” pela visão de seres góticos? O mundo havia se tornado uma curiosidade a cada centenário que se passa. E o cinema se mostrou fonte de conhecimento, diversão e curiosidade. Assistir vampiros pelo cinema era uma curiosidade. Um vampiro de verdade assistir um vampiro de mentira. Era hilário. Trazia risos sarcásticos a alguém que não se divertia constantemente.

A opção do cinema tornou esta noite mais... Humana...

Caminhou a passos lentos por um filme com o titulo que retratava o tempo. E entrou na sala. A sala, vermelho vinho vista apenas pelo clarão das telas, parecia estar vazia. A não ser por uma presença na ultima fileira, no meio das cadeiras. Lá estava a mulher. Aluhandri achou a senhorita atraente. Inclusive por um perfume suave que conquistava seu olfato. De olhos fechados, o perfume fez o vampiro caminhar lentamente, com suas vestimentas pretas sobre a pele branca pálida.

Os clarões do filme revelaram olhos castanhos, de uma cor muito peculiar. Cabelos até os ombros coloração castanho claro. Uma blusa muito bem decotada mostrava curvas de pura volúpia, que Draconi admirou e apreciou. Entrando na fileira, reparou em suas pernas torneadas que estavam desprotegidas dos olhares maliciosos por uma covarde saia. Caminhando até sentar-se ao lado da linda mulher, ele olhando para a tela continuou. Reparou que por alguns instantes a linda senhorita estava indagada com a escolha do acento do rapaz. Um longo sobretudo, camisa, gravata e calça de cor preta. Não o julgava gótico pela escolha das roupas. Apenas um prendedor de gravatas dourado sobressaia o conjunto.

A mulher trazia as mãos constantemente para próximo dos lábios, o que fazia Aluhandri admirar seus lábios tão lindos como se fosse desenhado a mão por talentosos desenhistas. Contudo ela parecia sentir frio. Talvez o ar estivesse gelado mesmo. Gentilmente, o vampiro cedeu seu sobretudo, que a fez vestir. A mulher sorriu e agradeceu a gentileza. Neste momento, pode-se notar que seus olhos eram verdes. Aluhandri sorriu e sentou-se encostando seu braço sobre o dela. Pensou como o vampiro do cinema, cobrindo a vitima com sua capa, em uma era moderna.

A senhorita deixou ser tocada pela mão fria do rapaz simpático. Ela tocou as mãos dele por algum tempo, como uma cigana que sente detalhadamente os traços da mão de seu consulente. Logo as mãos estavam dadas. Os olhares cruzavam-se escondidos, como em um jogo. Não se sabia quem era caça e caçador, contudo sabia-se quem não queria se tornar a presa. Ela não sabia ainda que este jogo é levado a sério demais por ele.

O abraço do rapaz se fez presente e ela cedeu repleta de segundas intenções. O pescoço dela que pulsava e exalava aroma incrível tornava-se irresistível a ele. Logo, o rosto do vampiro acariciava lentamente o pescoço da mulher que disfarçava sua respiração que começava a ficar ofegante. Ele respirou lentamente sobre a orelha, e retomou as caricias sobre o pescoço. Logo as caricias foram descendo lentamente para o colo, enquanto que as mãos habilidosas delineavam as curvas escarlates da perna torneada.

Os lábios entre abriam-se para deixar a língua livre deslizar pela pele quente, como uma serpente arisca. Deslizava com maestria por entre os volumes macios e perfumados, característicos de uma mulher atraente. As mãos sentiam e acariciavam ternamente e logo alternava apertões que transbordavam desejos. A mulher acariciava o rosto do homem que, demonstrava sentir o toque quente sobre os pelos mal aparados do rosto. Ela gostou de admirá-lo.

Lentamente sua mão foi subindo pela coxa, aonde a pele demonstrava estar mais quente. A boca instintivamente mordiscava a carne macia, alternando entre caricias labiais. A mulher mordiscou o pescoço dele, mostrando-se ativa. Fez com que sentisse sua língua e lábios quentes em uma região em que ele simplesmente adorava. Trazia sensações que o corpo dele recordava e reagia.

Ela deslizou uma das mãos pelo corpo dele até encontrar seu obstáculo a ser superado. Entretanto, as mãos dele eram mais más intencionadas. Estavam estrategicamente posicionadas. O suficiente para que ela permitisse um leve gemido. Os olhares doces dela foram substituídos por puro instinto, como se encontrasse com sua selvageria. Pós em prática tudo o que os músculos recordavam. Permitiu-se sentar sobre ele.

Levemente os movimentos ganhavam força, assim como os agarrões e mordidas dele. O prazer tomava conta quando ele a puxava pelo cabelo e ela segurava-se nele pelo pescoço enquanto os movimentos de luxuria se perpetuavam pela sala vazia de cinema. Logo ele levantou-se com ela levando-a de costas para a parede. Penetrava-a fundo e com força, sem lhe dar chance de reação. Mordia-lhe o pescoço com prazer. Era o prazer dele e tornava-se o prazer dela.

Ela puxava a camisa dele, arrancando todos os botões, para que assim pudesse arranhá-lo e morde-lo. Ela transpirava de tal forma que suas vestimentas tornavam-se parte de sua pele. Os inconscientes naquele momento sincronizavam e os corpos obedeciam a uma vontade maior: o prazer de ambos. Ela ajoelhou-se sobre o banco olhando com maldade no fundo dos olhos do vampiro. Ação e reação. Sem qualquer pudor, os movimentos recomeçam da maneira que não deveriam ter parado.

Logo os gemidos ecoavam pela sala, mediante aos toques sutis de Aluhandri sobre os seios excitados da mulher. Neste momento o prazer de ambos começava a tomar conta de cada parte do corpo, expandindo-se como um vigor de vitalidade seguido de um pensamento continuo de continuar e perpetuar aquele momento. Ela grita, e ele corresponde, como animais na selva. Ela já tomada pelo êxtase perdia noção da força dos movimentos. Ele que sentia seu prazer estava ao clímax, deixou que ela sentasse e saboreasse o fluido vital, que permite nascimento, crescimento e morte.

Ele também queria fluido vital. O fluido rubro que ele permitia que o corpo dela esquentasse. O fluido doce e vermelho repleto em seu corpo. Ele instintivamente mordia o pulso dela ferozmente, que gemia com a dedicação daquele estranho rapaz. Ele perfurava o pulso dela e sentia o sangue quente e espirrado descendo por sua garganta. Adocicando a boca dele. Transferindo vida e desejo para ele. Ele sugava impiedosamente, ainda excitado. Ela delirava mesmo sem entender o que acontecia. Ainda insatisfeito, mordeu-a no pescoço. E deixou que ela o abraçasse. Seu corpo cobriu-se de sangue e ele a deliciando, de todas as formas que podia e queria. Ela já com sua vitalidade alterada, sorriu pra ele. Com o que sobrava de forças, posicionou seus lindos lábios aos ouvidos dele e sussurrou:

- Fernanda... Mas me chame do que quiser...

“Delicie-se de vida, de todas as formas, prazeres e momentos. Venha agora, eu vou lhe mostrar o quão profunda é a realidade.”

12月6日

VIDA VIVA

VIDA VIVA

 

“Exaltação do corpo, prazer da carne: Minha vida”.

 

Estar no Brasil é uma experiência divertida. Eu nunca havia relatado isso em outras oportunidades. A lua parece muito maior daqui e as estrelas parecem sempre estar lhe vigiando. Ou talvez a sensação de vigília seja por outro motivo. De qualquer forma, o céu a cada noite parece me saudar e em resposta a isso eu reverencio a lua, as estrelas e o vento que me faz sentir “vivo”.

 

Eu já estava sentado há algum tempo naquela colina, sentindo o vento por dentro de minha camisa de seda preta. Meu nariz, minha boca, meu queixo e meu pescoço perderam a coloração esbranquiçada natural, para o vermelho do sangue que havia eu me alimentado com fartura. O sangue quente começava a cobrir minha mão que no solo apoiava meu corpo contra a luz do luar. Eu havia esquecido completamente de que Nicolle estava ali, ou o que havia sobrado dela.

 

O sangue do corpo me recordou da festa que a alguns metros ainda continuava. Foi lá onde a encontrei, naquela festa jovial. Não me senti confortável lá, não por minha aparência de vinte e poucos anos, mas por saber que minhas idéias iam muito além de drogas, sexo, e música. Se é que devo chamar o que ouvi de música. Ainda assim, o sangue era muito e como os outros dizem, a carne é fraca.

 

Muitos rapazes, muitas garotas, som alto, e ambos os sexos interagindo. Pessoalmente, era algo divertido de se ver: as danças, os risos, os beijos, os toques. Eu adentrei sem ser convidado, coisa que séculos atrás eu não faria com certeza, e fui caminhando a passos lentos em contraponto ao som que tocava. Admirei por um momento os jovens flertando, e os grupos de homens e mulheres, que apesar de destacados, interagiam com olhares e sorrisos.

 

Em um desses grupos estava Nicolle. Linda, esplêndida. Não há termos que descrevam exatamente como ela era. Seus cabelos lisos, grandes, acompanhavam seus movimentos e quando o vento batia contra seu lindo rosto, forçando-a a fechar por poucos segundos seus olhos pretos, eu tinha inspiração para escrever mais duas ou três músicas. Morena, não muito alta e não muito baixa. Seu corpo parecia ter sido feito ao molde de estátuas gregas, delineado com amor, um carinho que só um escultor poderia dizer.

 

Ela poderia inspirar excitação em quem quer que fosse. O olhar, com uma malícia que somente alguém que gosta de implicar com a paz alheia possui. Ela conversava distraidamente, vestindo uma blusa de alças com um decote sinuoso e uma saia jeans que trazia prazer à visão de coxas proporcionais à sua beleza.

 

Caminhando sem pressa, lá estava eu, com minha camisa de seda, calça e sapatos sociais de cor preta, em meio ao calor das pessoas pulando, vestidas com shorts e blusas, algumas até mesmo de boné, se divertindo, e todo aquele sangue pulsando ao meu redor. Eu era o lobo caminhando entre os cordeiros. Sentindo todo aquele cheiro de carne fresca, álcool e suor, eu começava a perguntar quanto tempo mais eu poderia agüentar ali. Objetivei a morena de beleza incrível e continuei minha marcha.

 

Nicolle me notou, olhou nos meus olhos, e continuou a conversar com seu grupo. Continuei a caminhar, ficando cada vez mais próximo dela. Faltando aproximadamente 15 passos, nossos olhares se tornaram fixos. Eu pude olhar dentro de sua alma sem saber se ela podia olhar a minha ou se apenas participava do jogo, mas se pudesse, deveria sair daquele lugar.

 

 

Ao chegar de encontro, a realidade parecia se dividir em duas. As demais pessoas de seu grupo me olhavam de um lado curiosas. Do outro lado, eu pousava a mão esquerda sobre sua cintura, e encostava meu nariz na base se seu pescoço, sentindo o perfume de seu corpo até sua orelha. Depois, a realidade se uniu novamente. Peguei levemente em sua mão, sorri para a linda senhorita e a puxei levemente. Ela me acompanhou até um pouco depois da festa, onde futuramente, seu corpo ficaria.

 

Eu a abracei pela cintura, e nossos rostos se aproximaram. Nossos olhos fizeram contato mais uma vez. Sorri para ela e ela me disse em um tom de voz baixo:

 

- Eu nem sei seu nome...

- Aluhandri... Estranho, diferente, mas meu nome. – E continuei sorrindo.

- Me chamo Nicolle... É um nome normal. Incomum, mas normal. – disse começando a sorrir, perdendo a timidez.

 

Ela tinha um sorriso bonito também, era uma garota com muita vida. Seus olhos tinham sonhos, e seus sonhos tinham fundamentos. Seria uma vida feliz e cheia de sucesso, se eu não aparecesse. Enquanto ela sorria pra mim, aquilo aconteceu mais uma vez. A boca ficou seca, como se o mundo fosse um deserto. Eu poderia dizer que o estômago roncou, mas eu sei que ele já não funciona como antes. Mas o pior é o desejo. O desejo incontrolável de penetrar meus dentes naquela carne macia, dilacerá-la, e pôr a boca naquela cratera que iria jorrar o rubro vital. Doce como uma fruta, perfumado como uma flor e saboroso como carne fresca.

 

E foi o que fiz. Depois deste desejo passar pela minha mente por horas, que eram na verdade poucos segundos, por trás daquele sorriso que já se tornava falso, eu a mordi com toda a força que eu podia. Rompi todos os músculos que eu podia em seu corpo. Ela gritou o que me pareceu ser o máximo que suas cordas vocais permitiam. Ela lutou, se debateu e eu apertei mais o abraço, quebrando algumas de suas costelas. A carne já começava a se separar do corpo, e o delicioso rio vermelho não parava de jorrar pela minha boca, sujando meu nariz, meus lábios, meu pescoço e um pouco da blusa.

 

Sentia o liquido quente sendo tateado pela minha língua como néctar. Descia minha garganta em goles gulosos e saciava aquele prazer mórbido que eu tanto adoro. Depois de ter bebido o suficiente, larguei o corpo de Nicolle. Ela caiu desfalecida, não sei se pela falta de sangue ou pelos órgãos que deviam estar perfurados pelas costelas. Então sentei para olhar o céu no lugar que me pareceu uma colina. E aqui, voltamos ao inicio. Contudo, ainda não é o fim.

 

Os olhos cheios de vida de Nicolle, que agora estavam opacos, me fizeram pensar sobre a vida. Pensei em como definir a vida. Se realizar vontades, prazeres é viver, existem muitas pessoas mortas nesta e em muitas outras terras. Pensei também em minha condição. Estou vivo por reger minhas vontades e meus prazeres, mas morto por cada assassinato. Roubando vida pra viver ou viver para roubar vidas?

 

Nicolle talvez pudesse me ajudar nesta questão. Entretanto, outra pessoa chegou para compartilhar meus pensamentos. Ela foi a primeira e talvez a única pessoa que trouxe para a minha vida. Sempre foi difícil resistir a sua voz.

 

- Há quanto tempo você está aí Estela?

- O Suficiente para me divertir com o show. Você está lindo de “vermelho” chèrrie... – Disse ela em tom irônico

 

Linda como sempre, seus longos cabelos vermelhos, combinados com O olhar que suas íris verdes produziam, eram armas fulminantes. Até mesmo para minha pessoa. Vestia um sobretudo de couro preto, coturno e um corset de vinil. Seus passos produziram sons até o meu lado, e então ela se sentou e admirou o céu comigo. Deitei a cabeça seu colo buscando conforto, talvez por estar confuso sobre a vida ou por estar carente. Ou os dois.

 

- Acha que esta vida é uma verdadeira vida? – eu perguntei, ainda refletindo como eu poderia me expressar melhor.

- Você sabe o que eu penso sobre a vida, Aluh. – disse ela ríspida.

- Pensei se nossos prazeres nos tornam vivos. Talvez eles nos tornem escravos, ou dependentes... – Disse eu ainda refletindo, e retomei -... Até mesmo o orgasmo do corpo é uma pequena morte.

- Quer fazer uma vivência? – Disse ela, com aquele olhar oportuno.

- Sim. – Respondi ainda pensando sobre a vida.

 

Logo depois de responder, Estela lambeu meus lábios e meu queixo lentamente, limpando o sangue fresco que ali estava desde que me alimentei de Nicolle. Ela desceu lentamente para o meu pescoço de forma sensual, se aproveitando da minha lambança. Fechei meus olhos e logo senti algo gelado, que cortava os botões da minha camisa. Abri os olhos a tempo de ver uma adaga que provavelmente ela deveria ter retirado de sua bota.

 

Com um movimento brusco, ela esgarçou minha camisa para os lados e cortou meu peito sem pudor. O sangue fresco começou a sair, e Estela sem demora sorveu prazerosamente meu sangue. Foi quando ela mordeu bem acima do que deveria ser meu coração. Segurou meus braços contra o chão e bebeu vorazmente. Uma onda de orgasmo tomou posse de meus movimentos, fazendo com que eu me debatesse de um lado a outro.

 

Depois de se satisfazer, ela limpou os lábios com a mão e o antebraço, e me perguntou:

 

- Agora me conte...

 

Sorrindo ela aguardou uma resposta, e eu disse:

 

- Estou vivo... E se isso não é vida, não vale a pena viver aqui...

 

 

 

“Festeje a vida, viva cada dia como se fosse o ultimo de sua vida. Carpe Diem”.